...Boa palavra basta!


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Me vem assim, de uma musica, a vontade tão imensa de partir. Descalça, Jovem, assim mesmo: Kerouac latino americana! Viajante Solitária!
Buena Vista me faz um partidor, um ser sem lar, vagabundo repentino, sem ideologia, sem final. Como quem não resiste ao bolero e a salsa. Seduzido brutamente pelo charme. Pelos prazeres efêmeros de um mundo desconhecido...
Ah! É pura vontade! Vontade de rostos, de corpos, de línguas. Vontade de arquiteturas decadentes, coloridas, de antigos casebres com tubulação aparente, de carros colecionáveis, vontade de cidades interioranas com pequeninas igrejas, vontade de cidades perdidas no tempo, vontade do passado, de ruínas de impérios, de ruínas de cantores de radio, e vontade de campos extensos, de cabarés á beira de estradas, de estradas.
Vontade de dançar com vinho espalhado nos lábios apostando a ultima moeda por um amor não correspondido!
É clichê. Sim. Sonho lúdico de criança...Quando ouço essas musicas desejo noites estreladas infinitas, aventuras distantes e dias quentes em lugares exóticos...Quero desterrar os pés e me afogar no continente...
Poderia ser um Violeiro.. Cantador de ilusões por caminhos misteriosos, cantando as promessas feitas em cada cidade, cantando pequeninas descobertas, estrangeiro perpétuo...
...Mil lares, incontáveis amores, inúmeros conhecidos...
É o que essas musicas em espanhol fazem á mim..incitam esse ardente desejo por viagens, por partidas. Vontade de se tornar estrangeiro e de conhecer esse estereótipo latino decadente, algo que de fato é corriqueiro, só que nos sonhos musicais se torna fantástico, intenso demais para um coração esperançoso e romântico como o meu.

Já era muito tarde quando começou a família Addams, versão 1964, na tv a cabo. Ela tinha sono e o pressentimento de sonhos ruins, não resistiria a força do cansaço não fosse pela ironia daquele seriado: "Há! uma família norte americana de insanos!" Se simpatizava com os personagens. Gomes, o patriarca, era a figura do bom amante divertido e do pai "exemplar", seu personagem preferido mais pela inocência ridícula do que por outra coisa, enquanto os outros cada qual com sua peculiaridade muito bem formulada lhe agradavam muito. Gostava disso: de peculiaridades bem formuladas. Ela admirava a coerência de cada integrante da família Addams. O Tropeço por exemplo: nunca deixaria de ser um Tropeço!A familia toda era sensatamente estranha. Isso que a fazia preferi-los aos Monstros, aquela famila mostruosa que age como seres humanos normais.

