sábado, 20 de setembro de 2008

Eu espero,
Escutando o radio, passeando nas ruas, limpando o quarto.
Nenhuma pintura me chama a atenção
E não tenho disposição para lamentos.
Sou mais uma mulher derramada na janela, sem ter no que pensar,
Do que o sóbrio louco poeta desencravando as unhas da existência.
Durmo muito durante a noite.
E tenho mais sonhos que planos.
Não tenho disposição para desejos ardentes,
Sou mais um bêbado por languidez,
Do que o ébrio apaixonado pela noite vazia.
Gosto de conversar só por conversar,
Aprender um acorde no violão,
E fazer pouco das coisas graves...
Um poeminha de amor em espanhol
Chama a atenção, as vezes,
Fala sobre as cores da Tarde,
Sobre beijos perdidos
(Que se parecem com florzinhas de cerejeira?)
Não sei de cor mais que um verso...
Fico jogando galhinhos na aguá suja do rio,
E inventando historias banais.
Eu espero,
E pergunto ao céu violeta:
Há de vir?
Chegará o dia da semana?
A hora do dia?
O minuto da hora?
O instante?
E penso no dia que ainda nascerá,
Repassando a experiência custosa
Desses meus dias vadios.

domingo, 14 de setembro de 2008

Samba-canção

Não menti quando te disse sobre a boemia,
Sobre a cachaça, a camisa listrada,
E o Olerê, Olará
Que é sina do bom vagabundo
Meu amor, essa é minha graça, é meu mundo.

Eu quero mesmo é sair por ai
Cantando no sereno as antigas modinhas
De Carnaval

(Com prontidão num portão,
Com um pandeiro e um amigo no violão...)

E você logo vem querendo me julgar
Me acusar
Chega dizendo que é pra eu ir me aprumar.
Que a farra é indigna, que não vale nada.

Que é vida sem principio, sem moral, sem ambição!

Ai ai meu bem, saiba que há muito coração
Maior que o estudo, e que sua lógica certeira
E foi dessa sua mesma ingratidão
Que eu resolvi fazer, ressentida, sem brincadeira
Um muito fora de moda samba- canção!