
Tudo resumia-se nisso: A arte de seduzir e atrair a maior quantidade de coisas para si. Casos furtivos, amizades verdadeiras, boas oportunidades, tarefas honrosas, apreciadores, gente pertinente, críticas construtivas, amores intensos e passageiros...Esse é o artesanato da modernidade, essa é a saga do homem liberal.
Um bom sedutor tem sucesso garantido, é fato. No entanto, não pode assegurar algo como “uma felicidade tranqüila” ou qualquer coisa que se assemelhe a uma serenidade sincera. Para o conquistador permanecerá um vácuo, um vazio, uma eterna duvida do que vem depois de ter, como um ímã caótico, atraído para si todo um universo. É o exemplo clássico do bem sucedido que pira, que depois da fama e fortuna se acaba em achismos existenciais.
Mas, o que importa, claro, é o sucesso. E a sensação de se ter “vivido”...Ah..isso é essencial! Faz-se necessário, para tanto, costurar estórias, bordar casos, emendar acasos, elevando o que seria uma existência medíocre a uma sensação de se ter vivido com dignidade, dignidade esta concedida pela audácia da conquista individual.
É bom lembrar que um verdadeiro sedutor é, antes de tudo, um bom fingidor. Essa seria a regra numero um, nomeada mais singelamente de “pertinência”. Palavras como virtuosismo ou Excelência, cedem lugar à galanteamento, à audácia. Mas quê é isso senão o inevitável espírito empreendedor moderno contra o espírito antigo da Virtu, da arte da Excelência?
Enfim, Tudo resumia-se a isso. Nas casas, nas ruas, no comercio. Nas escolas, nas festas, nos grupos e associações. Não poderia dizer que fugi dessa toante, não, não fugi. Embora os antigos me fascinem demais, não há escapatória, sou uma moderna. Embora muito pouco bem sucedida, embora em tudo romântica e antiga, viver nesse mundo é estar sempre no meio de insinuações, de galanteios, de fascinações asquerosas e muito bem adaptadas, é gozar de uma liberdade a custo de um sonho qualquer, a custo de se aprender como se conquista. Desde pequenos, isso é ensinado: A arte da conquista. Senão não se vive aqui, se isola, assume-se (rs) um “isolamento social”.
Um samurai, um maestro, um eremita: A manifestação explicita de uma arte que se perdeu!! Ai como eu adimiro os virtuosos remanescentes.... Os samurais já não existem mais, e os eremitas e os maestros são considerados loucos... Mas os maestros? Você pode me perguntar, e eu lhe respondo: Sim! Os maestros que passam 49 anos trancafiados em um conservatório musical e saem de lá meia-boca! Se isso fosse em outro tempo...Não aconteceria. Até os pobres dos padres perderam a credibilidade....Todos tornaram-se uns sedutores, uns nojentos conquistadores, ou então morreram saudosos, inadaptados.
Tudo resumiu-se nisso. E resume-se para os espíritos pobres e para os homens de sucesso.
No entanto para o Velho Tadeu, amigo meu, homem de pouquíssimo sucesso e de espírito apurado (ó grande ironia moderna!) tudo resume-se a poucas lembranças e a falta de perspectivas.
Enquanto eu, odiando essa balela liberal, e no entanto filha prodiga do iluminismo, me deparo frente essa grande questão, já que me é impossível a virtu em algo (coloco aqui as tentativas na musica, no teatro, na religião, nas artes, já que nunca entrarei num convento, virarei um samurai, e muito menos um maestro) o que resta é tentar conquistar algo lá longe, com os métodos modernos, seduzindo, seduzindo, seduzindo. O custo, como já disse, é a paz de espirito. E quem a possui nessa época? Nem o mais sábio dos homens! Que hoje é considerado um anti-sociedade. É um marginal.
Eis a questão: não adaptar-se para melhor julgar, ou ceder ao espirito audaz da competitividade e conquista para construir alguma coisa.