
Um artista não pode fugir da sina estética. Um artista é um esteticista, querendo ou não, um artista encarrega-se da representação e do espetáculo. Stephen Dedalus teve os maiores questionamentos existenciais e as maiores perturbações metafísicas possíveis, mas ele era um artista, o que o fez transformar deus em purpurinas teatrais e em versos cadenciados, legitimando a dor, a alegria, e o medo de sua juventude. Dedalus esteve entre o ser e o não ser profano, entre o ser e o não ser devoto, o jovem foi o artista que quis questionar a experiência e suas conseqüências, assumindo poucas vezes a leviandade e esperando em suas caminhadas noturnas o grande sinal metafísico da predestinação.
Era um vaidoso que só. Fazia experimentos corporais para provar sua resistência, e teve medo do inferno não como um cristão que o era fervorosamente, mas como desolado jovem em busca de significação. Em sua fase devota, era tão voluptuosamente obstinado que beirou o ridículo, embora convencesse quem estava ao seu redor. Se tornaria padre por estética, e morreria por deus pela irresistível intensidade. Era um jovem de extremos intensos. Era um jovem artista.
O compositor tem a vida á deriva da inspiração estudada, psicografada, estruturada em anos de estudos direcionados, vale lembrar que Dedalus tinha a Poética de Aristóteles como bíblia e a bíblia como poética.
Eu tenho um vizinho compositor. Sim: um obstinado musico. Por que para ser musico talvez diferente dos outros artistas, por mais medíocre que seja, deva se ter uma capacidade fora do comum de concentração, devoção, e ética utilitária. Ele me disse uma noite: Pois é, nós artistas sofremos, nós artistas somos vaidosos. Justificando a dificuldade que para os leigos, como eu no caso, parece inconcebível, como o ato de compor melodias em um piano. Ai estava a chave, chegando em casa fiquei inquieta, andando eufórica pelos corredores, pois era ela, era ela? içada nos poemas, a beleza, a vaidade, a mais antiga das pestes, o mais intenso dos pecados.
Mas como um obstinado, devoto, e extremamente coerente musico pode ter pecado? Eis a maior das inquietações de Dedalus. Eis a sordidez de se ser artista.
Mas todas as manhas escuto o compositor, e que prazer! E que êxtase! A arte não é um entorpecente, energumeno é quem acha isso, é uma verdade cruel, e um artista por natureza é um vaidoso pois vai até as ultimas conseqüências da representação do incompreensível, o que para mim faz dos Dedalus seres sinceros, e dos vizinhos musicos seres exemplares.
Era um vaidoso que só. Fazia experimentos corporais para provar sua resistência, e teve medo do inferno não como um cristão que o era fervorosamente, mas como desolado jovem em busca de significação. Em sua fase devota, era tão voluptuosamente obstinado que beirou o ridículo, embora convencesse quem estava ao seu redor. Se tornaria padre por estética, e morreria por deus pela irresistível intensidade. Era um jovem de extremos intensos. Era um jovem artista.
O compositor tem a vida á deriva da inspiração estudada, psicografada, estruturada em anos de estudos direcionados, vale lembrar que Dedalus tinha a Poética de Aristóteles como bíblia e a bíblia como poética.
Eu tenho um vizinho compositor. Sim: um obstinado musico. Por que para ser musico talvez diferente dos outros artistas, por mais medíocre que seja, deva se ter uma capacidade fora do comum de concentração, devoção, e ética utilitária. Ele me disse uma noite: Pois é, nós artistas sofremos, nós artistas somos vaidosos. Justificando a dificuldade que para os leigos, como eu no caso, parece inconcebível, como o ato de compor melodias em um piano. Ai estava a chave, chegando em casa fiquei inquieta, andando eufórica pelos corredores, pois era ela, era ela? içada nos poemas, a beleza, a vaidade, a mais antiga das pestes, o mais intenso dos pecados.
Mas como um obstinado, devoto, e extremamente coerente musico pode ter pecado? Eis a maior das inquietações de Dedalus. Eis a sordidez de se ser artista.
Mas todas as manhas escuto o compositor, e que prazer! E que êxtase! A arte não é um entorpecente, energumeno é quem acha isso, é uma verdade cruel, e um artista por natureza é um vaidoso pois vai até as ultimas conseqüências da representação do incompreensível, o que para mim faz dos Dedalus seres sinceros, e dos vizinhos musicos seres exemplares.
Nota: Stephen Dedalus é protagonista do romance " Retrato de um artista quando jovem" de James Joyce, é considerado alter ego do autor.
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