terça-feira, 19 de agosto de 2008

Rotina...


New Century Time to Give Up:

I Wine
II Liqour
III Rich Food
IV Cigars
V Poker
VI Dice
VII Cards
VIII The Track
IX Cigarettes
X Pool
XI Pawnshops
XII Seedy Hotels

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Psiquê adormecida

Entre os corpos há comunicação.
Eles falam e se tocam,
Enchem-se de perfumes,
E vestidos de verão.
Mas as Almas não...
Não há caricia a uma alma,
Não há aroma, nem tintura,
Numa boa alma se encontra é amargura!

Quem conseguiu um dia tocar uma Alma
Não tocou senão a sua.
As almas não conversam,
Nem trocam coisa alguma.
Mas uma alma pode estar perdida,
Daí, é preciso encontrá-la
Para quando achá-la
Saber
Que nunca outra alma
Uma vez poderá lha compreender.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Conquistas


Tudo resumia-se nisso: A arte de seduzir e atrair a maior quantidade de coisas para si. Casos furtivos, amizades verdadeiras, boas oportunidades, tarefas honrosas, apreciadores, gente pertinente, críticas construtivas, amores intensos e passageiros...Esse é o artesanato da modernidade, essa é a saga do homem liberal.
Um bom sedutor tem sucesso garantido, é fato. No entanto, não pode assegurar algo como “uma felicidade tranqüila” ou qualquer coisa que se assemelhe a uma serenidade sincera. Para o conquistador permanecerá um vácuo, um vazio, uma eterna duvida do que vem depois de ter, como um ímã caótico, atraído para si todo um universo. É o exemplo clássico do bem sucedido que pira, que depois da fama e fortuna se acaba em achismos existenciais.
Mas, o que importa, claro, é o sucesso. E a sensação de se ter “vivido”...Ah..isso é essencial! Faz-se necessário, para tanto, costurar estórias, bordar casos, emendar acasos, elevando o que seria uma existência medíocre a uma sensação de se ter vivido com dignidade, dignidade esta concedida pela audácia da conquista individual.
É bom lembrar que um verdadeiro sedutor é, antes de tudo, um bom fingidor. Essa seria a regra numero um, nomeada mais singelamente de “pertinência”. Palavras como virtuosismo ou Excelência, cedem lugar à galanteamento, à audácia. Mas quê é isso senão o inevitável espírito empreendedor moderno contra o espírito antigo da Virtu, da arte da Excelência?
Enfim, Tudo resumia-se a isso. Nas casas, nas ruas, no comercio. Nas escolas, nas festas, nos grupos e associações. Não poderia dizer que fugi dessa toante, não, não fugi. Embora os antigos me fascinem demais, não há escapatória, sou uma moderna. Embora muito pouco bem sucedida, embora em tudo romântica e antiga, viver nesse mundo é estar sempre no meio de insinuações, de galanteios, de fascinações asquerosas e muito bem adaptadas, é gozar de uma liberdade a custo de um sonho qualquer, a custo de se aprender como se conquista. Desde pequenos, isso é ensinado: A arte da conquista. Senão não se vive aqui, se isola, assume-se (rs) um “isolamento social”.
Um samurai, um maestro, um eremita: A manifestação explicita de uma arte que se perdeu!! Ai como eu adimiro os virtuosos remanescentes.... Os samurais já não existem mais, e os eremitas e os maestros são considerados loucos... Mas os maestros? Você pode me perguntar, e eu lhe respondo: Sim! Os maestros que passam 49 anos trancafiados em um conservatório musical e saem de lá meia-boca! Se isso fosse em outro tempo...Não aconteceria. Até os pobres dos padres perderam a credibilidade....Todos tornaram-se uns sedutores, uns nojentos conquistadores, ou então morreram saudosos, inadaptados.
Tudo resumiu-se nisso. E resume-se para os espíritos pobres e para os homens de sucesso.
No entanto para o Velho Tadeu, amigo meu, homem de pouquíssimo sucesso e de espírito apurado (ó grande ironia moderna!) tudo resume-se a poucas lembranças e a falta de perspectivas.
Enquanto eu, odiando essa balela liberal, e no entanto filha prodiga do iluminismo, me deparo frente essa grande questão, já que me é impossível a virtu em algo (coloco aqui as tentativas na musica, no teatro, na religião, nas artes, já que nunca entrarei num convento, virarei um samurai, e muito menos um maestro) o que resta é tentar conquistar algo lá longe, com os métodos modernos, seduzindo, seduzindo, seduzindo. O custo, como já disse, é a paz de espirito. E quem a possui nessa época? Nem o mais sábio dos homens! Que hoje é considerado um anti-sociedade. É um marginal.
Eis a questão: não adaptar-se para melhor julgar, ou ceder ao espirito audaz da competitividade e conquista para construir alguma coisa.

sábado, 12 de julho de 2008

O Castelo

Um pequeno fragmento do conto:

"Certa vez no piano, depois de acabada sua quarta sinfonia, o príncipe estava tão cansado, cansado do castelo, cansado com suas composições e distrações, cansado das comidas bem conservadas, dos quartos grandes e vazios, cansado de sua juventude, que deixou sua cabeça quedar-se pesadamente no teclado do piano. O som foi tão forte que ressoou por todo o castelo. Ele ficou inconsciente por um minuto. Voltou a si com o som de sua eterna visita, a sua espera, rogando em suas batidas simétricas sua recepção.

O jovem príncipe martelou com sua cabeça o teclado novamente. E novamente com mais força. E mais uma vez. E por uma quarta vez, ainda mais intensa, machucou brutalmente as teclas de marfim.

Toc Toc Toc Toc. Ele a seguiu. Seguiu as mortais batidas dela com a cabeça no piano. Os muros do castelo tremeram com aquela violência, e ele, percorrendo toda extensão do teclado, murmurava: sol... lá.....mi.mi.... E não demorou á inserir uma melodia nas batidas com sua cabeça loira, vasta de cachos. Aos poucos foi nascendo nele uma sensação... Sentiu como uma Alegria.Uma Alegria que fez escorrer de seus olhos a mais branda lágrima. Toc Toc Toc Toc. Ele á acompanhava – Sol, lá , mi, ré – E assim continuou, sentindo-se poderoso pela primeira vez ao tocar finalmente com as mãos. “Há!” riu de um modo um tanto quanto maníaco, “És tu a minha musa?”.
(...)

No outro dia o príncipe já não era jovem. Vendo-se refletido, logo pela manhã e ocasionalmente nas louças de metal da copa, percebeu em seu rosto profundas trincheiras de carne flácida, olheiras fortes e sombrias, e que seus lábios haviam murchado como uma ameixa seca, no entanto nunca se sentira tão vigoroso. Também notou que uma clareira se delineava em sua cabeleira sempre tão vasta. Nunca teve tanto orgulho.

(...)

Do alto da escada acenou para os criados (que naquele dia retornaram a casa) e ordenou que preparassem o melhor chá da reserva. Ordenou também que concertassem o relógio do salão de jantas, que limpassem os jardins e arrumassem toda a bagunça que ele havia feito durante aqueles anos. Passando-se metade de uma hora, o velho príncipe precipitou-se á porta.
Toc Toc Toc Toc. As batidas continuavam iguais ao primeiro dia que ele as havia escutado, rústicas, limpas, claras. Ele não: Ele se tornara mais nobre.
Altivo, porem sóbrio, foi ele mesmo, sem cerimonial, abrir a porta principal. Ao virar a fechadura adornada fez-se um silencio de morte.
Frente a frente com sua visita, o príncipe não titubeou:
'Entre. És a minha convidada...'"

domingo, 29 de junho de 2008

Vontades Latino Americanas


"De Alto Cedro voy para Macané
Llego al Puerto voy para Mayarí"

Chan Chan -Buena Vista Social Club


http://www.deezer.com/track/7063


Me vem assim, de uma musica, a vontade tão imensa de partir. Descalça, Jovem, assim mesmo: Kerouac latino americana! Viajante Solitária!
Buena Vista me faz um partidor, um ser sem lar, vagabundo repentino, sem ideologia, sem final. Como quem não resiste ao bolero e a salsa. Seduzido brutamente pelo charme. Pelos prazeres efêmeros de um mundo desconhecido...
Ah! É pura vontade! Vontade de rostos, de corpos, de línguas. Vontade de arquiteturas decadentes, coloridas, de antigos casebres com tubulação aparente, de carros colecionáveis, vontade de cidades interioranas com pequeninas igrejas, vontade de cidades perdidas no tempo, vontade do passado, de ruínas de impérios, de ruínas de cantores de radio, e vontade de campos extensos, de cabarés á beira de estradas, de estradas.
Vontade de dançar com vinho espalhado nos lábios apostando a ultima moeda por um amor não correspondido!
É clichê. Sim. Sonho lúdico de criança...Quando ouço essas musicas desejo noites estreladas infinitas, aventuras distantes e dias quentes em lugares exóticos...Quero desterrar os pés e me afogar no continente...
Poderia ser um Violeiro.. Cantador de ilusões por caminhos misteriosos, cantando as promessas feitas em cada cidade, cantando pequeninas descobertas, estrangeiro perpétuo...
...Mil lares, incontáveis amores, inúmeros conhecidos...
É o que essas musicas em espanhol fazem á mim..incitam esse ardente desejo por viagens, por partidas. Vontade de se tornar estrangeiro e de conhecer esse estereótipo latino decadente, algo que de fato é corriqueiro, só que nos sonhos musicais se torna fantástico, intenso demais para um coração esperançoso e romântico como o meu.


quinta-feira, 26 de junho de 2008

Piêrro

" A colombina entrou no botequim
Bebeu, bebeu, saiu assim, assim...
Dizendo: Pierrô o cacete! Vai tomar sorvete com o Arlequim!"
Um pierrô apaixonado- Noel Rosa


Tem desse amigo ao menos um soneto
Por essa dor que pensava ser derradeira!
Eu que sei, não passa de brincadeira
Comove-me esse teu cético tormento

Só o pierrô e o idiota vivem à beira
Entoando cações e sofrendo lento
Num gole tornando a magoa acalento
Virando a alma como um copo a esgueira

Segue leve amigo, não leva a sério
Vida é curta e vão é no mundo pilhar
Para tanto permanece sempre ébrio

Com sofredores na mesa de bilhar
E esquece a ingrata. Não é este o seu mistério?
Rir do amor morrendo por um olhar?

terça-feira, 17 de junho de 2008

... ...

Jovem, jovem
Quem pode assegurar algo?
Eternidade:
A felicidade é longe!

Que reste a beleza
Ficando assim um retrato
Ou um sadio hálito
Das noites de vigília.

Há! Vive assim, vadio.
Sem punhal, sem orla
Não é fundo, nem é raso.
É só.

Dia de inverno,
É novo:
Quer o perfume das fumaças
Das comidas dos jantares.

Quer uma foto do por-do-sol,
Um filme antigo,
Um beijo de criança,
E nenhuma garantia.

Anda desleixado.
Acha que pode ter um ataque
Fulminante!
Ah! Pobre jovem!

Se ri á toa.